Fim de Caso



"Este é um diário do ódio..."

Assim, Fim de Caso se anuncia. Narrando um triângulo amoroso trágico, o filme do brilhante Neil Jordan é uma obra-prima do início ao fim. E o diretor deve ser respeitado por no mínimo duas outras obras-primas: Nó na Garganta e Traídos pelo Desejo. O filme, baseado no romance de Graham Greene (que também escreveu O Americano Tranquilo) é poético, lírico. A fotografia e todos os detalhes de produção (incluindo as fontes dos créditos) nos remetem a um filme que parece ter sido filmado nos anos 40 e, mágicamente colorido e restaurado. Ou pelo menos, é a sensação que eu tive. O que há de diferente nas obras da época é o que garante a perfeição da história, porém. A forte sexualidade e a maturidade do roteiro são contemporâneos e bem aproveitados. As cenas de sexo são lindas. São reais como poucas, no cinema.

Neil Jordan, que também assina o roteiro narra a história simples de forma não-linear, mas seguindo uma linha de raciocínio perfeita, tornando a narrativa cada vez mais envolvente e emocionante. A trilha sonora é uma das melhores já realizadas para um filme desse estilo.

O trio de protagonistas é único: Ralph Fiennes transforma o protagonista Maurice Bendrix num perfeito anti-herói. Não esconde em nenhum momento os lados mais desagradáveis do personagem (como a cruel sinceridade no diálogo com o marido traído), mas não se distancia do público. Acreditamos no seu amor por Sarah. Julianne Moore está brilhante como sempre, mas se há algo para comentar é que ela nunca esteve tão linda em um filme, como nesse. E para fechar, Stephen Rea (em mais uma de suas parcerias com Jordan) torna seu personagem na grande figura trágica da história. Aparentemente incapaz de demonstrar amor pela esposa, é com ele no final que choramos.

Fim de Caso é um romance pouco lembrado, e que me lembro perfeitamente de ter assistido pela primeira vez em 2001 (quando eu tinha... deixa eu ver... 15 anos, nossa!). Lembro do impacto que tive, de como reagi fortemente a obra. E agora, oito anos depois, só posso afirmar que o filme pareceu envelhecer como um dos melhores vinhos que já provei.

NOTA: 10

2 comentários:

Ibertson Medeiros disse...

Tenho que ver esse filme. Parece ser excelente, semprei fico adiando. Gosto dos filmes do Neil Jordan.

Postei um selo "Blog de Ouro" para você. Passa no meu blog e confere.

Tiago Lipka disse...

Mas bah! Valeu mesmo!

E assista mesmo o Fim de Caso.

Abraço!

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