Em Nome de Deus



Pra qualquer um cansado de tentar xingar a Igreja Católica por pequenos erros no passado, como as Cruzadas e a Inquisição, confira também este Em Nome de Deus de Peter Mullan. O filme mostra como funcionavam os Conventos Madalena, onde garotas acusadas de serem tentadoras ou por qualquer outro pecado eram mandadas para trabalhar como escravas. O importante é frisar que o filme se baseia em histórias reais e que isso faz parte de nossa história recente, já que o último destes conventos fechou em 1996.

Em Nome de Deus tem o defeito de começar de maneira arrebatadora e jamais se igualar ao nível depois. De início, vemos as famílias se desfazendo das filhas de maneira chocante e fria. Ali estava o pior de toda a história, e é uma pena que isso não seja mais explorado na obra. Aliás, Mullan peca pelo exagero do significado em algumas cenas, como fazer a freira pregar um sermão enquanto conta notas de dinheiro. A mensagem é acertada, mas fica óbvia demais, incomoda.

Porém, o diretor mostra sutileza brilhante nas torturas pelas quais as garotas são submetidas. Só a cena em que a freira faz uma competição com todas as garotas nuas é melhor e eficaz que todo o Saló de Pasolini. O filme é corajoso por não romantizar nada e deixar a sensação de mal-estar nos acompanhar até os créditos. Daí, vem sua importância.

NOTA: 8,5

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