Caché



Poucos diretores conseguem brincar tanto com o público através da narrativa como Michael Haneke. Em Caché, podemos sentir que o diretor está o tempo todo presente, sorrindo de canto, pensando em como vai nos enganar. Mantém os planos sempre gerais, nos faz procurar pelo que não existe em seus enquadramentos. Parece fazer um estudo de paranóia no início, só para aos poucos, mostrar suas garras e fazer-nos reconhecer que fomos tão bem manipulados quanto seus personagens.

O filme conta a história de um casal francês que começa a receber fitas de vídeo com imagens da frente da sua casa. Com a certeza de que se trata de uma ameaça, o casal tenta buscar a verdade do que está por detrás daquilo. O bicho pega, porém, porque não é nesse suspense que Haneke quer que prestemos atenção. Estão lá fortes dramas familiares, vividos com intensidade e uma impressionante falta de comunicação.

Aos poucos, o leque do diretor se abre cada vez mais, até sermos obrigados a reconhecer o brilhantismo de tudo. O diretor consegue estabelecer uma metáfora brilhante sobre a responsabilidade de assumirmos nossa culpa pelo passado, mesmo que não tenhamos participado diretamente (no caso, a violenta relação entre França e Argélia). Afinal, quem sai perdendo com o silêncio (como deixa claro o enquadramento final) são as futuras gerações.

Arte é isso. E Caché, é obra-prima pra ser estudada e comentada.

NOTA: 10

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