Saló ou 120 Dias em Sodoma



Enquanto eu era um estudante auto-didata de cinema, aos 16 anos por aí, ouvi muito falar sobre esse tal de Saló, e principalmente sobre seu diretor Pier Paolo Pasolini. Meio bizarro que de um diretor de esquerda, homossexual e ateu, o único filme que eu tenha gostado dele seja justamente o que ele deve ter dirigido com certa ironia, O Evangelho Segundo Mateus. Até porque, ele ainda está me devendo um filme que mereça o nome que ele tem no cinema europeu, mas deve ser só implicância minha (ou seja, não, não gosto da Trilogia da Vida). Foi com surpresa que Saló acabou passando na TV um dia desses, e como sempre ouvi falar de sua polêmica resolvi assistí-lo.

De início, já notei algo estranho. Nos créditos, Pasolini nos mostra uma bibliografia sugerida para seu filme. Já foi um ponto negativo pra mim, mas vá lá...

Saló narra os acontecimentos em uma mansão. Quatro homens e algumas mulheres mais velhos nos tempo do fascismo na Itália decidem aprisionar alguns adolescentes enquanto discutem uma liberação sexual. Infelizmente para o espectador, a liberação sexual inclui fezes, urina e sangue. E Pasolini não exita em mostrar nenhum dos grotescos detalhes. E basicamente a trama é essa.

O filme é bem feito, tem uma cenografia brilhante, uma ótima trilha e é bem montado e fotografado. Nenhuma reclamação quanto a  isso. A pergunta é... pra que? A Paixão de Cristo tem as mesmas características e me despertou a mesma pergunta. Mas em Saló o pra que tem um sentido diferente. Nos longos diálogos que antecedem a tortura, percebe-se o interesse de Pasolini em dar um sentido, uma filosofia ao seu filme, e eu acredito que entendi qual era o recado. O que me parece estranho é justamente o tom bizarro das humilhações, da nudez de menores de idade.

Não sou exatamente um puritano (Irreversível é uma obra-prima para mim, por exemplo), mas Saló soa gratuito e, pasmém, até mesmo estúpido em sua maioria.

Sendo assim, alguém me indica um bom filme do Pasolini?

NOTA: 5

1 comentários:

Anônimo disse...

"Nos longos diálogos que antecedem a tortura, percebe-se o interesse de Pasolini em dar um sentido, uma filosofia ao seu filme, e eu acredito que entendi qual era o recado. O que me parece estranho é justamente o tom bizarro das humilhações, da nudez de menores de idade."
Saló pega no 120 dias de Sodoma e Gomorra, do Sade, e transporta-o para demonstrar o que de pior tem o fascismo. É uma obra de arte com objectivos e relevância política. Não tem nada de gratuito nem de chocante, para quem conhece o 120 dias a sério. Este http://www.imdb.com/title/tt0071502/ é mais fácil do que o Saló.

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