Possuídos



Antes de começar, esqueçamos do ridículo título que a distribuidora brasileira arranjou para Bug...

Anyway... Bug talvez seja o mais extremo caso de "ame ou odeie" dos últimos tempos. O filme é um estudo claustrofóbico sobre a paranóia. Grande parte da história é contada em um quarto de motel barato. O diretor Willian Friedkin (O Exorcista, Operação França) faz uma direção discreta, e que cria suspense ao utilizar o som com sabedoria. Basta reparar nas simples conotações sonoras que o som do venilador no teto vai ganhando conforme o filme passa.

Em Bug, Ashley Judd interpreta Agnes, uma mulher traumatizada pelo desaparecimento do filho, e que sofre com a saída de seu ex-marido da prisão. Quando uma amiga leva Peter (Michael Shannon) a sua casa, os dois estabelecem uma curiosa química. Aos poucos, essa química ganha contornos perigosos e ameaçadores, conforme a cinturbada personalidade de Peter vai se revelando ao espectador. Aliás, as performances dos atores não são menos que espetaculares (em especial, Ashley Judd).

O simples e eficiente roteiro acaba servindo de prato cheio para Friedkin, que explora os diálogos com cuidado, e várias vezes, em planos-sequênia estáticos (aliás, o estilo do filme lembra algo de Michael Haneke). Outro ponto alto do filme é o fato de o diretor jamais responder nenhuma das perguntas que o roteiro faz. Afinal, os insetos são reais? Na verdade, não interessa. O que interessa é que para os personagens eles são reais, e o desenvolvimento da história depende de o público entender este conceito.

Perturbador ao extremo, Bug é sem dúvida, um dos grandes filmes de terror dessa década, e mostra que, quando quer, Willian Friedkin ainda é um dos melhores diretores na ativa.

NOTA: 9,5

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