Gomorra



Gomorra é uma espécie de Traffic, fazendo um panorama geral na máfia italiana, seguindo diversos personagens e suas ligações com o crime. Começa de maneira esplêndida, escancarando a vaidade e a violência, tradicionais elementos dos gângsters. Aqui porém, não há a força de Don Corleone e afins. Os Dons são quase comparáveis ao Zé Pequeno. Todos chefes de partes da cidade que só cuidam para que ninguém saia da linha.

Seu único defeito é demorar a estabelecer a história de seus personagens, e as vezes abandonar alguns deles por tempo demais. Mas quando chega no magnífico ato que encerra a projeção, o filme exibe toda sua força. O clímax é absolutamente forte e impactante. O estilo narrativo do filme, aplicado por seu diretor Matteo Garrone é perfeito, feito em maioria com câmera na mão e rodado em longos planos sem cortes. E seu final demonstra bem a coragem do realizador. Acaba sem qualquer glória ou redenção.

Gomorra, enfim, é um desses filmes que parece ecoar em nossa mente como um grito desesperado, algo como Terra de Ninguém ou Paradise Now. Não é agradável de assistir, mas é necessário.

NOTA: 10

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