Eraserhead


Quando escrevi sobre Império dos Sonhos, disse que o longa era um "pesadelo de três horas". Bem, Eraserhead, primeiro longa-metragem de David Lynch é um pesadelo com a metade do tempo, mas nem de longe tão eficiente quanto. A bem da verdade, Eraserhead é lembrado por ter sido a primeira investida, e já forte e impactante, do que viria a ser o grande diretor que é Lynch. Mas o filme não é tão bom quanto é pregado.

Eraserhead fala sobre um personagem e o início de seu relacionamento após ter um filho com a garota que ama. O bebê porém, é um ser deformado, sem pernas ou braços. Depois de ser abandonado pela esposa, o tal personagem tenta investir num relacionamento com a mulher que mora no apartamento da frente.

Mas a história parece ser apenas uma alegoria para Lynch falar de maneira simbólica sobre paternidade e culpa. Aliás, os constantes simbolismos de sua obra também encontram espaço aqui, mas de maneira até divertida e simples.

O filme tem força nas cenas entre o pai e o bebê e seu curioso relacionamento. O resto é esquisitisse curiosa, como a garota com as bochechas do Fofão cantando In Heaven ou o homem deformado operando um maquinário. A parte sonora é quase insuportável, no bom sentido, já que cria toda a atmosfera claustrofóbica do filme, junto com a fotografia saturada e bem contrastada. No conjunto da obra, o filme realmente é fraco, mas seu visual único (que inflenciou π e Spider, por exemplo) e o já visível talento de Lynch criam uma espécie de canto de Sereia que mantém o público interessado no que está vendo.

NOTA: 7

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