As Bruxas de Salém



Por mais bem escrito, dirigido, montado e fotografado que seja, a força de As Bruxas de Salém está no excelente desempenho do elenco, que consegue fazer até mesmo que alguns diálogos menos inspirados ganhem força. Inclusive o diretor Nicholas Hytner parece ter uma forte queda por adaptar peças de teatro (esta é obra de Arthur Miller), o que explica sua boa direção de atores, e infelizmente a parte que enfraquece seu projeto: obviamente, a teatralidade de algumas cenas.

O filme é centrado em John Proctor (Daniel Day-Lewis), um fazendeiro que mora nos arredores de Salém e observa a movimentação de algumas jovens que alegam ver espíritos e começam a acusar vários cidadãos de compactuar com o demônio. A líder das garotas, Abigail (Winona Ryder) foi uma criada de Proctor, e estabeleceu um breve romance com ele, sendo expulsa da casa pela esposa dele, Elizabeth (Joan Allen). Quando Abigail acusa Elizabeth de bruzaria, Proctor é obrigado a enfrentar os absurdos julgamentos que ocorrem na cidade.

Aliás, John Proctor é um protagonista impressionante, e a atuação de Daniel Day Lewis é o que o filme tem de melhor. Inicialmente contido e com óbvia sensatez quanto ao que ocorre no local, Lewis retrata maravilhosamente bem a crescente desespero de seu personagem em encontrar alguma saída para a situação, culminando na magnífica cena em que Proctor não permite que usem sua assinatura para um papel a ser colocado na porta de uma igreja. Joan Allen mostra também grande sensibilidade e sua atuação contida faz com que suas últimas cenas sejam outros pontos fortes do filme.

Infelizmente, a natureza teatral da qual o filme tem origem se mostra mais presente do que o necessário, e isso acaba incomodando no primeiro ato da história. Felizmente, o filme se desenvolve bem, principalmente nas impressionantes cenas no tribunal. E seu brilhante desfecho deixa uma forte marca no espectador.

NOTA: 8,5

2 comentários:

mari disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
mari disse...

7,5! Até poderia dar uma nota maior, mas é que esse filme me deixa com tanta raiva! Raiva não da igreja mas sim das pessoas que acreditam nela de olhos fechados. Como o ser humano pode ser tão ignorante?...Essa pergunta nunca será respondida!

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