O Escafandro e a Borboleta





Em quase dez anos de carreira no cinema, Julian Schnabel tem apenas três filmes: Basquiat (do qual não sou muito fã) e Antes do Anoitecer que eu admiro muito. Mas nada no mundo me prepararia para esta obra-prima do cinema que é O Escafandro e a Borboleta. Baseado no livro homônimo escrito por Jean Dominique Bauby de uma situação nada convencional: O escritor sofreu um derrame que o provocou a rara Síndrome Locked-In, na qual a pessoa fica presa em seu corpo, sem poder mover nenhuma parte do corpo. Como ele escreveu o livro? A fonoaudióloga que cuidava de seu caso desenvolveu um alfabeto para ele enxergar, e através das piscadas de olho, ele ia "ditando".

Schnabel e o roteirista Ronald Harwood (que escreveu outra obra-prima, O Pianista) colocam o espectador dentro da mente de Jean Dominique. Filmado quase todo em plano subjetivo, o filme passa a sensação forte de claustrofobia, criando cenas extremamente angustiantes (como quando o olho de Jean é costurado). Mas essa sensação aos poucos é deixada de lado, quando o personagem decide parar de ter pena de si mesmo. E assim, nasce uma das lições de vida mais belas que já pude conferir no cinema (e acredito que nem mesmo Jean Dominique sabia da importância do que estava escrevendo, transformando seu rito de vida e morte em arte).

As atuações no filme são absolutamente incríveis, e até mesmo a musa e esposa de Roman Polanski, Emmanuele Seigner (normalmente, uma atriz regular) causa grande impacto. Mas é claro que o mérito principal cai em Mathieu Amalric, numa atuação brilhante, que merecia ter sido mais premiada do que foi. E é claro, é sempre bom rever Max Von Sydow. Quanto talento este homem possui! Em suas poucas cenas, o ator demonstra a inteligência e sensibilidade que marcaram toda a sua carreira.

Provavelmente, O Escafandro e a Borboleta vai ser muito lembrado assim que as listas de "melhores filmes da década" surgirem. E méritos para isso, não lhe faltam.

NOTA: 10

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