Nossa Vida Sem Grace




Stanley Phillips é um dedicado trabalhador numa loja em uma pequena cidade do interior dos EUA. Também é um pai dedicado de duas pequenas garotas. Sua esposa, Grace é soldado no exército americano e está na guerra do Iraque. A relação dos dois se resume a telefonemas em que um mal consegue ouvir o outro. Então, quando num dia dois homens do exército batem na porta de Stanley, ele já sabe o que houve mesmo antes que os soldados digam: Grace morreu no combate. Apavorado com a notícia, e pior ainda, apavorado de contar as suas filhas que a mãe delas está morta, Stanley decide tomar uma decisão inusitada: resolve viajar com elas para longe de qualquer um que saiba da notícia e leva suas filhas para um parque onde elas sempre desejavam ir, tentando ganhar tempo para o inevitável momento em que terá que contar a verdade.

Com uma história simples e comovente como essa, o diretor novato James C. Strouse poderia muito bem fazer aquela salada de sempre com músicas melosas e típicas de dramas americanos, mas ele vai pelo caminho mais difícil durante todo o filme: passando pela crise do início de adolescência do filme, até duras críticas a guerra no Iraque (mesmo que homenageie a vida perdida dos soldados), Strouse ainda dá um curioso tom cômico e doce ao filme, contando com isso com a maravilhosa atuação de John Cusack, que interpreta Stanley como um sujeito atrapalhado e inconsequente, mas que em nenhum momento nos faça desconfiar da dedicação e amor pelas filhas e a esposa.

Inexplicavelmente, esta pequena obra-prima do cinema lançada nos cinemas americanos em 2007 (e premiado em vários festivais) passou em branco nos cinemas brasileiros. Só em abril desse ano, Nossa Vida Sem Grace foi lançado em DVD, e mesmo assim sem alarde. Uma pena, já que se trata de não apenas um dos melhores dramas dos últimos anos, como a melhor atuação de John Cusack em sua já brilhante carreira, que estava meio perdida desde que estrelou a excelente comédia Alta Fidelidade.


NOTA: 9

PS: Clint Eastwood (sim, O Clint Eastwood) gostou tanto do filme que compôs a trilha sonora do filme... e de graça! 

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