O Nevoeiro



Adaptar Stephen King não parece ser tarefa fácil. Suas histórias embora sempre trabalhem com temas sobrenaturais, acabam utilizando esse elemento como um disfarce para o que o autor realmente quer dizer. Ocasionalmente, suas obras oferecem uma forte tendência ao absurdo e, ao adaptar esses absurdos (que normalmente vem no terceiro ato) o cineasta tem duas escolhas: disfarçar e criar seu próprio desfecho, como Stanley Kubrick em O Iluminado, ou abraçar a fidelidade a obra, mas achar a forma que o absurdo da situação se converta em um ponto a favor ao filme, como Frank Darabont fez em A Espera de um Milagre, e agora em O Nevoeiro.

Adaptado de um conto, o filme conta a simples história dos habitantes de uma pequena cidade nos Estados Unidos que acabam presos em um super-mercado quando uma forte névoa cobre a cidade. Nessa névoa, eles percebem que existe uma ameaça terrível.

Apesar de ser um pouco "veterano" ao adaptar Stephen King, Frank Darabont (que adaptou também Um Sonho de Liberdade) trabalha pela primeira vez com a faceta de suspense do autor, e não decepcionou: O Nevoeiro é tenso e assustador, e não se intimida em utilizar forte violência para mostrar o desespero da situação (algo que faltou a Spielberg no seu A Guerra dos Mundos, por exemplo).

Como em suas obras anteriores, arranca performances extraordinárias de seu elenco, destacando Marcia Gay Harden como o Edir Macedo de saias, e Thomas Jane, ator normalmente inexpressivo, mas que aqui carrega o filme com forte presença na tela, e exibindo forte segurança ao interpretar com o jovem Nathan Gamble, também extraordinário como o filho de Thomas Jane.

É claro que, como grande parte dos filmes baseados na obra de King, há coisas que nõ funcionam (especialmente quando se é fiel a obra): como o primeiro ataque no mercado (tentáculos? pfff...) ou o visual afeminado do militar (que, não dúvido, vem do conto original), mas o filme tem acertos suficientes para eclipsar isso: o ataque noturno, uma cena bagunçada (no bom sentido) que é aterrorizante, assim como a primeira saída de alguns personagens a farmácia, que fica logo ao lado do mercado.

Mas é no final que Frank Darabont e Stephen King elevam O Nevoeiro a última potência, criando um final muito mais apavorante do que poderíamos imaginar: numa obra que lida com monstros e fenômenos sobrenaturais, é incrível que o filme consiga trazer tantas discussõas éticas-religiosas-políticas e levar as pessoas a sair do filme com aquele gosto ruim na boca. Extremamente corajoso e bem mais aterrorizante do que qualquer um pode imaginar, o final de O Nevoeiro é provavelmente, um dos grandes momentos do cinema de terror contemporâneo.

NOTA: 8,5

2 comentários:

Mari disse...

Filme sensacional...e com um final arrasador...e a trilha sonora então! Nossa...foi ela q me fez chorar(snif)
..Só q a minha nota é 9,0! =)
Beijos....=***

Adriano Mendes disse...

Bah, mudaram o final! Não gostei do final, tosco demais.

Real Time Web Analytics