O Bom Pastor



Dirigido por Robert DeNiro, O Bom Pastor conta a história da origem da CIA, mostrando muita sujeira que normalmente é jogada para debaixo do tapete. Mas ao invés de apelar para um panfleto sensacionalista, DeNiro e o roteirista Eric Roth (também responsável por Munique) transformam o filme num drama intimista sobre Edward Wilson (Matt Damon) que, de jovem alegre e de futuro promissor, se transforma num filho da p... digo, um homem amargo e deprimido, afastando todos do seu redor.

Aliás, o filho da p... ali em cima teve um motivo. O filme (de maneira brilhante, diga-se de passagem) nos faz entender o sofrimento de Wilson, e a performance minimalista e genial de Damon causa grande empatia no espectador. Mas pare e pense no que o personagem fez durante o filme inteiro. Wilson nunca é o cara que aperta o gatinho, que mata, ou que faz todo tipo de atrocidade, mas é ele quem está por trás de tudo: de uma tortura brutal, até uma estratégica praga num campo de café, com gafanhotos sendo lançados de aviões.

Se houvesse Oscar de melhor elenco, não haveria nem indicados: a estatueta iria diretamente para O Bom Pastor. E se até Angelina Jolie está perfeita no filme (interpretando de verdade, e não posando para fotos) imagine o que esse filme faz com Alec Baldwin, Willian Hurt, Billy Crudup, Joe Pesci e, claro, o próprio DeNiro, que não apenas faz uma direção visualmente primorosa, como (principalmente) na maneira como conduz o elenco.

Injustamente esquecido pelas principais premiações do seu ano, O Bom Pastor é quase uma obra-prima, e se não fosse pela duração que acaba comprometendo o filme um pouco em seus minutos finais, seria realmente perfeito.

NOTA: 9

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