JFK - A Pergunta que não Quer Calar



Dirigido pelo excelente Oliver Stone, JFK apresenta problemas semelhantes ao documentário Fahrenheit 11 de Setembro. Ou seja, ocasionalmente, suas denúncias as vezes soam como meras especulações multiplicadas ao cubo. Por exemplo, na cena em que um determinado personagem morre de causas naturais, o promotor Jim Garrison anda em cena e sugere ao espectador que o personagem era hipertenso, e pergunta ao médico o que um determinado remédio causaria a um paciente com essa doença.

Felizmente, ao contrário de Fahrenheit (que é sim, um excelente documentário, apesar de ocasionalmente falho) JFK pode (e deve) ser assistido não como um filme que remonta passo-a-passo uma grande conspiração, num quase ipsis-literis. JFK deve ser encarado como um projeto que mostra a sensação de insegurança e medo que tomou conta dos EUA no início dos anos 60, e que teve como estopim o assassinato do Presidente Kennedy em circunstâncias extremamente duvidosas por Lee Oswald, seguido pelo assassinato do irmão do presidente, de Martin Luther King e o início da Guerra do Vietnã, tudo de uma vez só.

Sim, Oliver Stone ocasionalmente cai no planfetarismo, mas isso não diminui a força desse filme que em suas mais de três horas de duração, jamais deixa a peteca cair, sempre impressionando o espectador, e junto com sua montagem nervosa e precisa, nos deixa com as unhas bem roídas. Seu estilo único de filmagem, misturando diferentes formatos, cai como uma luva para o filme (e diga-se de passagem, teve seu melhor momento neste longa).

Kevin Costner como o promotor Jim Garrison está na melhor atuação de sua carreira. Demonstrando uma presença de tela marcante, ele se mostra bastante eficaz no climax do filme, que é praticamente um monólogo do seu personagem no julgamento (que aliás, deve ser a melhor cena já concebida por Stone).

Brilhante do início ao fim, JFK é marcante não por mostrar provas irrefutáveis sobre uma grande conspiração contra Kennedy, mas sim, por mostrar que, de fato, houve um tempo em que a população sentiu que seu governo mentia, que a verdade estava sendo escondida. E a importância do filme reside nisso: para que certas perguntas não deixem de ser respondidas, por mais que isso demore.

NOTA: 10

0 comentários:

Real Time Web Analytics