Boogie Nights - Prazer Sem Limites




Esta história sobre a ascenção e queda de um astro pornô foi a primeira obra a dar atenção e notoriedade ao cineasta Paul Thomas Anderson, que havia despontado com Jogada de Risco e em seguida nos brindou com Magnólia, Embriagado de Amor e Sangue Negro. Boogie Nights é o filme mais "scorsesiano" de Anderson, em vários sentidos: os longos planos-sequência e a montagem que fica cada vez mais frenética conforme a história avança, mostram o quanto Scorsese (e principalmente, Os Bons Companheiros) influenciou na direção desta obra-prima.


Nos anos 70, Eddie Adams (Mark Walhberg) é um zé-ninguém de 17 anos que trabalha numa boate, e em um dia de trabalho é visto por Jack Horner (Burt Reynolds), um diretor de filmes pornográficos (ou "filmes exóticos" como ele chama). Horner vê algo em Eddie, e resolve transformá-lo num astro de seus filmes. Logo o "Coronel", o financiador dos filmes, sugere que o rapaz pense num novo nome, e ele acata a sugestão se se rebatiza como Dirk Diggler. E o rapaz manda bem com seu membro de 30 cm... O estrelato logo chega, e Dirk se torna o grande astro do cinema pornô.

Junto com eles, conhecemos também Amber Waves (Julianne Moore), a melhor das atrizes de Jack, que é vista como uma figura materna por todos os jovens atores, e vive a ironia de ter ordem judicial proibindo-a de ver o filho; Roller-girl (Heather Graham) é outra atriz, que jamais (mesmo!) tira seus patins, e sonha em ter um diploma, embora nem ela saiba porque; Reet Rothchild (John C. Reilly) um ator meio bobão que adora exibir truques de mágica, e se torna o melhor amigo de Dirk; Buck Swope (Don Cheadle) outro ator, mas que sonha em abrir sua loja de sons "hi-fi", e parece estar sempre em busca de um visual novo; Little Bill (Willian H. Macy) o assistente de direção dos filmes, único que parece realmente interessado na parte técnica e artística do filme, e que convive com as infidelidades públicas da esposa; e Scotty (Phillip Seymour Hoffman) o assistente faz-tudo dos filmes, que é apaixonado por Dirk.

Todos eles vivem seu grande auge com drogas, música e sexo, numa fase de felicidade eterna, que tem fim no início dos anos 80, através de um marcante plano-sequência. É aí que chega o "video", que acaba com a magia da filmagem em película, reduz o dinheiro, o vício em drogas começa a atrapalhar as performances de Dirk, que briga com todos e é obrigado a se prostituir, enquanto o Coronel é preso por pedofilia e todas as desgraças possíveis começam a arrebatar os personagens: o sonho colorido apresentado no início, vira um pesadelo rápido e frenético.

Falar nas atuações do filme é complicado. É impossível fazer justiça a qualidade aqui apresentada por todos. Basta dizer que neste filmes temos as melhores atuações de Mark Walhberg, Burt Reynolds e Heather Graham (Reynolds concorreu ao Oscar de ator coadjuvante por esse filme).

Quanto a direção, Paul Thomas Anderson, a essa altura do campeonato deveria dispensar comentários, mas vamos lá. A segurança com que o diretor conduz o seu filme já pode ser visto nos minutos iniciais do filme: Um som instrumental que parece anunciar algo trágico é tocado em um fundo preto, sendo interrompido bruscamente por uma música disco, em um longo plano sequência que acompanha a entrada de uma boate; e nesse plano-sequência somos apresentados à os principais personagens do filme. Trabalho estupendo, que só viria a melhorar em Magnólia e (principalmente) Sangue Negro.

Com sua cena final (homenagem clara a outro filme de Martin Scorsese, Touro Indomável), Boogie Nights é a obra responsável por levar os olhos de milhões de amantas da sétima arte, a acompanhar aquele que é o melhor diretor dos últimos tempos. E a impressão que tenho é de que era essa a idéia de Paul Thomas Anderson. Nunca admirei tanto a falta de modéstia de uma pessoa.

NOTA: 10

1 comentários:

Mari disse...

Minha nota tbm é 10,00 para o Boogie Nights....Só que ainda não consigo dizer qual filme do Paul Thomas Anderson é o meu preferido. Não tem como escolher. Talvez eu deixe o Sangue Negro como o favorito, mas dói pensar nisso!
....E que 30cm era aquele hein...=P...Bricadeira...não leve a sério ta!
Beijos

Real Time Web Analytics