Assassinos Por Natureza



Se JFK é o melhor filme de Oliver Stone, Assassinos Por Natureza é sua maior provocação. Um verdadeiro soco no estômago, violentíssimo, filmado e editado de maneira alucinógena, que só funciona graças ao talento do diretor, e do empenho do elenco. Aliás, me arrisco a dizer que foi o filme experimental mais caro bancado por um estúdio. Ou dizer que um filme que usa Beta, 16mm, 35mm, Super 8, VHS e até animação nas mesmas sequências não é experimentalismo?

Mickey e Mallory Knox (Woody Harrelson e Juliette Lewis) são um casal de serial killers que cruza os EUA protagonizando uma matança que chama a atenção da mídia. A cobertura da mídia é tão forte, que o casal ganha até mesmo fãs. Fãs? Assassinos com fãs? Sim, basta lembrar que Charles Manson é praticamente uma celebridade nos EUA (e babacas como o guitarrista do System Of A Down o veneram). Do lado da mídia, conhecemos Wayne Gale (Robert Downey Jr.), um apresentador egocêntrico, que conhece muito bem o seu público alvo ("você acha que aqueles zumbis vão notar que estamos reprisando algo?").

O casal acaba sendo pego por Jack Scagnetti (Tom Sizemore), um caçador de serial killers que sente atração por Mallory. Quando o diretor da prisão (Tommy Lee Jones, hilário) resolve matar as escondidas o casal com ajuda de Scagnetti, Wayne consegue uma entrevista exclusiva com Mickey um dia antes.

E a tal da entrevista é o ponto alto do filme, uma sequência de diálogos brilhante que resume perfeitamente todas as idéias do filme. Afinal, quem é mais perigoso? Mickey Knox, o assassino cruel que só encontra paz ao lado de Mallory (paz a sua maneira, claro), ou Wayne Gale, um dos responsáveis por transformar o casal em grades nomes da mídia? Se por um lado, as vítimas de Mickey tiveram simplesmente como motivo de sua morte, um azar tremendo (ou "destino", como afirma Mickey), Gale utilizando a mídia em seu pior lado, o da manipulação, do sensacionalismo, asteia uma enorme bandeira de irresponsabilidade (como grande parte da mídia, hoje em dia). Certamente, Wayne Gale (e muitos jornalistas hoje em dia) enxergam liberdade de expressão como "posso falar qualquer merda".

Mesmo exagerado, Assassinos Por Natureza é uma obra fundamental do cinema americano dos anos 90 e que, infelizmente, é muito mais atual hoje em dia, que na época de seu lançamento.

NOTA: 9

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