O Orfanato



A modinha de uns tempos para cá era conferir os filmes de terror produzidos no Oriente, como a irregular trilogia Ringu, The Eye (já refilmado) ou, o meu favorito, Espíritos - A Morte Está ao Seu Lado. Infelizmente, não estão conseguindo manter o hype que a envolvia, e a qualidade dos filmes vem decaindo (como o ruinzinho Silk - O Primeiro Espírito Capturado) e a mania de refilmagens que Hollywood propagou, fez com que olhássemos para outro lugar, onde os filmes de terror vem sendo bem mais bem-sucedidos - a Espanha.

De lá já vieram filmes como A Espinha do Diabo, O Labirinto do Fauno e Os Outros, e agora O Orfanato, estréia na direção de Juan Antonio Baiona, que mesmo sendo bastante inferior a seus antecessores, ainda consegue ser assustador e competente como poucos.

Laura se muda com o marido e o filho adotado para a casa onde cresceu na infância: um antigo orfanato, com o intuito de criar uma casa para crianças especiais. No meio disso, ela e seu marido, que é médico, tentam tratar da doença do filho, que nasceu com o vírus HIV, e conversa com amigos imaginários. É quando, durante uma festa com várias crianças, o filho de Laura desaparece, é que ela se convence que os amigos imaginários dele na verdade eram espíritos, e então começa sua busca para fazer contato com eles.

O filme funciona bem, principalmente pela calma que usa para apresentar seus personagens, portanto, quando a tensão começa ela se torna insuportável, já que investimos muito emocionalmente na situação e em seus personagens. Aliás, o diretor Juan Antonio merece elogios pela maneira como faz com que a tensão creça em tela usando de elementos simples, como o ruído de um roda-roda. E é impossível não admirar a cena da visita da médium (interpretada por Geraldine Chaplin) ou a cena em que personagem parece atrair os fantasmas com o som de um sino.

Infelizmente, o diretor dá um tiro no próprio pé quando demonstra sua inexperiência, criando uma sucessão de sustos "falsos" que acabam irritando profundamente. E a marcação de cena em que Laura encontra a assistente social em sua casa a noite é péssima: basta dizer que depois de minutos de tensão a cena é tão mal montada-enquadrada-marcada que o resultado são risadas involuntárias. Felizmente, essas cenas ficam no primeiro ato, e param por ali.

Contando com um bom final (e uma cena final decepcionante por sert absolutamente desnecessária), O Orfanato pode ter seus defeitos, mas definitivamente, tem qualidades de sobra para ser conferido.

NOTA: 7,5

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