Sangue Negro



Em português simples e claro: Paul Thomas Anderson é foda! Desculpem pela falta de boas maneiras mas não tem maneira melhor de apresentar minha admiração pelo talento desse diretor. Depois de passar por Las Vegas (Jogada de Risco), cinema pornô da década de 70 (Boogie Nights), coincidências e sapos (Magnólia) e a comédia romântica mais bizarra que já conferia (Embriagado de Amor), Anderson nos apresenta a Daniel Plainview, um sujeito ganancioso que ao descobrir petróleo junto com o filho numa região humilde da América no começo do século XX, começa uma jornada em busca de dinheiro com um objetivo simples: Isolar-se de um mundo que despreza e repleto de pessoas que não enxerga como nada menos que marionetes para seus próprios benefícios.

Utilizando algumas de suas principais marcas como diretor, como planos-sequências, o diretor utiliza brilhantemente a trilha sonora para reforçar o interior de Plainview. Demonstrando inteligência e criatividade em sua direção de cenas, criando momentos bizarros e até cômicos (como no batismo do personagem), P.T. Anderson acerta também ao manter o destaque da narrativa no relacionamento de Daniel com seu filho H.W..

Aliás, abrindo um parentêses gigantesco, Daniel Day Lewis está perfeito em Sangue Negro. Melhor, confesso que ele é meu ator favorito. Assim como Paul Thomas Anderson, Day Lewis tem anos e anos de carreira, porém não trabalha muito, e seleciona seus projetos cuidadosamente. Basta observar que entre seus projetos temos Em Nome do Pai, Meu Pé Esquerdo, As Bruxas de Salem, Minha Adorável Lavanderia... e mesmo quando seus filmes não são tão bons, caso de O Lutador e Gangues de Nova York, é inevitável perceber a dedicação do ator, e como sua simples presença engrandece a produção.

Demontrando também um grande domínio na sua narrativa, Anderson também destaca a curiosa rivalidade entre Daniel e Eli, um jovem que garante ser um profeta. E é esta rivalidade que funciona para mostrar o verdadeiro objetivo do filme. Sangue Negro não é um filme comum sobre a ganância destruindo o homem. Aliás, as comparações com Cidadão Kane também ajudam em sua compreensão. Se no clássico de Orson Welles víamos o apogeu e queda de um homem que quanto mais poder conseguia (através do império da informação), menos conseguia em sua vida pessoal, em Daniel Plainview temos a mesma consequência (e sua psicopatia começa a partir do momento em que não consegue mais se comunicar com o filho). A principal diferença entre Charles Foster Kane e Daniel Plainview vem em como seus objetivos são alcançados: Daniel ansiava pelo isolamento, porém seu objetivo só parece cumprido quando até mesmo Deus é expulso de sua vida. E sua tragédia é concluída no filme de maneira bizarra e cômica, o que realça o vazio de sua vida e acentua sua queda eminente.

NOTA: 10

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