Dogma do Amor



É bom... ou não? Dogma do Amor é um fime difícil de analisar. Mesmo conseguindo passar bem sua mensagem inusitada e original, o filme tem tantos problemas de ritmo e de roteiro que é quase impossível saber o que pesa mais e o que pesa menos: originalidade ou qualidade. No filme, vemos John Marchevsky (Joaquin Phoenix) indo até Nova Yorque para entregar os papéis do divórcio para sua mulher, Elena (Claire Danes). Quando chega, porém, percebe que algo está incomodando Elena, e resolve ficar na cidade e descobrir o que aconteceu nos anos que ficou longe.

Um dos maiores problemas de Dogma do Amor já começa aí. Começando de maneira intrigante, o filme praticamente estaciona quando o amor de John e Elena renasce. O que vemos são apenas cenas de sexo e outras apenas curiosas (como o fato de nevar em várias cidades do mundo, durante o verão). Quando o filme volta ao ritmo normal, não estamos mais nos importando com os personagens, e o filme fica tão esquizofrênico, quanto chato. Por outro lado, Thomas Vinterberg (do belíssimo Festa de Família) acerta ao apostar em formas inusitadas de passar a mensagem do filme (o "Ugandense Voador" é o meu favorito).

A cena em que John senta e acompanha a edição de um programa de TV, mostrando cenas de pobreza enquanto Elena está sendo entrevistada é a prova disso. O personagem de Sean Penn revela-se uma bela metáfora da solidão do homem (além de ter as melhores falas do roteiro). Outro fato interessante do filme é a tal doença que toma conta do mundo: o coração de pessoas solitárias e tristes pára de bater. Assim, várias vezes, vemos diálogos com cadáveres ao fundo (idéia que remete a filmes de guerra, como O Pianista ou A Lista de Schindler).

Joaquin Phoenix tem uma belíssima atuação nesse filme. Basta ver sua reação à um fato inusitado que acontece quando quatro mulheres patinam. Sean Penn aparece pouco, mas demonstra que grandes atores não precisam de muito tempo em cena para mostrar talento. O destaque, porém fica para Douglas Henshall que interpreta Michael, irmão de Elena. Henshall cria uma figura ambígua, já que simpatizamos com seu personagem, mesmo sem sabermos de que lado está. Claire Danes é o porém. Antes de ter que interpretar mais de um personagem na trama, ela se mostra competente, mas depois, fica claro que ela não é bem uma atriz versátil.

Thomas Vinterberg é outro porém. Após o sucesso de Festa em Família era de se esperar um filme melhor. Ele, claramente tem dom para criar tramas inusitadas, o problema é que, dessa vez, ela não foi tão bem realizada. O excesso de efeitos especiais incomoda bastante. Já o clima noir cai como uma luva. Enfim, se você não conseguiu entender se eu gostei ou não de Dogma do Amor, não se incomode: Nem eu sei ainda.

NOTA: 6

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