Não é o desastre que foi anunciado por muitos críticos. Porém, é verdade que não é um filme memorável do mestre
Martin Scorsese.
Gangues de Nova York é uma homenagem do diretor ao palco de muitas de suas obras, como
Taxi Driver ou
Vivendo no Limite.
Scorsese porém, se entrega a um didatismo irritante, se concentrando as vezes mais nos aspectos históricos, do que nos seus personagens.
Amsterdan (
Leonardo DiCaprio) vai para um orfanato após o assassinato do seu pai, o Padre Vallon (
Liam Neeson) numa batalha mostrada no início do filme, pelas mãos de Bill, o Açougueiro (
Daniel Day Lewis). 16 anos depois ele volta a Nova York em sua velha vizinhança, para vingar-se de Bill. Porém, quando se aproxima dele, acaba criando uma curiosa amizade com o vilão.
A história é simples, porém
Scorsese perde muito tempo com algumas tramas que poderiam facilmente ter sido limadas pois não fariam falta, como, por exemplo, a da eleição de determinado personagem (apesar disso, o desfecho dessa trama é genial).
DiCaprio está competente como o jovem Vallon, assim como
Cameron Diaz (numa personagem mal construída pelo roteiro, diga-se de passagem).
Gangues de Nova York encontra sua força em
Daniel Day Lewis. Adjetivos para a sua atuação como Bill ainda devem ser inventados. Aliás, sua atuação é tão perfeita, que mesmo
DiCaprio,
Diaz e o restante dos atores estarem competentes, todos ao seu lado parecem amadores. Uma atuação para entrar para a hitória do cinema. Destaque negativo apenas para
John C. Reilly, um ator competente, como podemos ver em
Magnólia, mas que aqui força o sotaque e atua caricaturalmente.
Scorsese, é claro, está muito bem na direção, mas o destaque na parte técnica vão para a direção de arte e figurino, absurdos de bem feitos.
Enfim, um
Scorsese ruim. Mas ainda assim, um filme acima da média do que é lançado.