Z



Z é um filme político sem meias palavras ou sutilezas. Aliás, nos créditos iniciais, o diretor já assina uma legenda onde diz que "qualquer semelhança com eventos e nomes de personagens com pessoas reais não era coincidência, mas sim intencional". Curiosamente, esse é o maior defeito e, também, a maior virtude deste clássico.

O filme acompanha o desenrolar das investigações de um atentado sofrido por um político quando saia de um comício. No primeiro ato acompanhamos as frustradas tentativas do partido liberal para organizar o comício, que é sempre atrapalhado por pessoas ligadas ao governo. Depois do citado atentado, acompanhamos as investigações e consequências do fato, e como afeta cada pessoa envolvida.

Z possui maravilhosas cenas onde discute a política sem rodeios, destacando-se a cena em que o general que ordenou o atentado manda os melhores médicos para cuidar do político, já que sua morte o tornaria um mártir, ou a cena em que os pacifistas parecem frustrar-se com sua própria escolha ideológica: como reagir a um atentado, sendo que sua mentalidade impede-os de se vingarem?

Infelizmente, o filme não envelheceu muito bem e fica meio deslocado na nossa época, onde a corrupção e as técnicas de repressão são bem menos sutis, e nem se preocupam em sê-lo. Mesmo assim, com sua montagem impressionante e uma direção maravilhosa, cortesia do talentosíssimo Costa Gavras (que realizou também, Amém), Z não envelhece no aspecto cinematográfico. Continua sendo um filme de respeito.

NOTA: 9,5

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