A Mosca



Seth Brundle (Jeff Goldblum) é um cientista. Depois de uma feira de ciências ele leva uma jornalista para conhecer sua nova invenção, um aparelho de teletransporte (ou "telepods"). Brundle não é propriamente tímido. Apenas recluso. Em certo momento ele chega a dizer para a jornalista Ronnie (Geena Davis) `Pode fazer a cobertura completa e passar aqui o tempo que quiser. Não tenho vida pessoal`. Vive num mundo particular, e vê, em sua invenção, um meio de ser importante.

Os telepods funcionam da seguinte maneira: o objeto entra em um pod e suas moléculas se e reintegram no outro pod. Quando vai fazer o primeiro teste de teleporte em humanos, usando a si mesmo como cobaia, uma mosca entra na máquina, que recompõem as moléculas dos dois organismos em um só. Com isso, Brundle vai gradualmente se transformando em "Brundle-fly". E essa transformação começa muito bem. Seth se sente mais forte e mais vivo; toda a sua personalidade estava enrustida, e começa a ser externalizada.

A fama de Cronenberg (conhecido como `O Rei do Horror Venéreo`) aparece com as consequência da experiência. Enquanto isso, o romance entre Seth e Ronnie recheia o conflito. Seth Brundle é uma versão modernizada e adaptada de Gregor Samsa, o personagem de Kafka que se metamorfoseia em barata. Porém, com grande contato com o mundo exterior. Brundle e Ronnie não foram propriamente feitos um para o outro; mas se antes a personagem de Geena Davis o achava um doce, consequentemente o considera um cretino (outra das consequências da experiência) que, porém, vai desenvolvendo uma doença, se sentindo culpada por sentir raiva e conseqüentemente vai sentindo pena.

A incapacidade de Brundle se tornar alguém `normal` vai se tornando sua maldição, gerando momentos escatológicos. Além de toda a reflexão proposta pelo filme, Jeff Goldblum está muito bem no papel e Cronenberg tem uma direção segura e ousada. Funciona muito bem como um filme de terror (além da trilha de Howard Shore ser sensacional), o que não é pouco, mas A Mosca prova ser muito mais que isso. Uma reflexão kafkiana dentro de um filme escatológico.

NOTA: 9,5

3 comentários:

Bárbara disse...

Nunca vi...

Tiago Lipka disse...

Bom... então... assista...

=/

rico disse...

Geena Davis...Nem sabia que era com ela.
Crassicooo...hehehehe

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